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Capítulo 1 
-
Natasha Quinn

 Neyal'a 

México, cerca de 10.000 a.C.

Dois soldados austeros a escoltavam até a pedra de sacrifício. Seu corpo estava coberto por um pano, ela não podia ser vista pela população curiosa que se aglomerava à beira da selva até estar devidamente pintada e preparada para a cerimônia de passagem.

Apesar da falta de lágrimas e resistência, Neyal'a estava em choque. Imaginava que seria sacrificada assim que seu líder morresse, claro. Como era sua escrava mais estimada, ele certamente exigiria que ela continuasse servindo-o no Outro Mundo. Ela só pensou que teria mais tempo de vida, talvez até uma oportunidade de mudar seu status, para que não precisasse ficar presa à escravidão ou à figura daquele homem patético por toda a eternidade.

A morte dele pegou a todos desprevenidos. Era jovem demais. Tolo. E morreu de um jeito vergonhoso: engasgado com um ossinho enquanto comia. Não iria para o paraíso sagrado dos guerreiros, mas para o subsolo triste, frio e tenebroso dos perdedores — o que era pior ainda para Neyal'a.

O grupo chegou à clareira sagrada, mais afastada do resto do povo, que esticava o pescoço para enxergar os detalhes mórbidos. "Bando de carniceiros," ela pensou. A luz azul da lua cheia entrava em choque com o cenário tingido de laranja pelas tochas fincadas no chão.

A enorme pedra de sacrifício já estava embebida com o sangue das duas escravas que chegaram lá antes. Seus corpos caídos na terra, como se fossem um animal qualquer, sem valor.

O sacerdote sorriu ao ver que Neyal'a se aproximava. "Maldito demônio asqueroso." Atrás dele, uma grande fogueira ardia embaixo da imponente estátua de K'uk'ulqa esculpida em madeira. A fumaça negra fedia a carne e subia direto para as narinas do deus. Ele estava sendo alimentado com os corações das escravas, para que seu espírito divino despertasse e auxiliasse o morto em sua jornada até o Outro Mundo.

O velho sacerdote enxugou os braços vermelhos com um pano e se aproximou de Neyal'a carregando potes de tinta. Ela tirou o capuz e deixou o manto que a cobria cair no chão aos seus pés. Usava apenas um saiote branco por baixo.

Próximo à pedra de sacrifício, o líder jazia em um altar simples de madeira, envolto da cabeça aos pés por faixas brancas. Havia um espaço vazio ao seu lado, reservado para ela. Guerreiros estavam a postos, um com uma tocha na mão, para atear fogo nos dois, e o outro segurando uma cumbuca com líquido alucinógeno, para que Neyal'a bebesse e fosse capaz de suportar o calor extremo sem se debater de dor. Morreria silenciosamente.

O sacerdote começou a pintar o rosto de Neyal'a com a tinta branca. Usou os dedos enrugados e encarquilhados para isso. Pegou uma segunda cumbuca, com tinta vermelha, e fez uma linha grossa ao redor dos olhos dela antes de cobrir a parte superior de seu torso e pescoço. Demorou um tempo a mais na região de seus seios, aproveitando cada segundo daquilo. A mulher nunca havia sentido tanto nojo daquele homem quanto agora.

Desviou o rosto e seu olhar captou a grande estátua de madeira de K'uk'ulqa ao fundo. Neyal'a sempre foi devota ao deus. Gostaria de servi-lo pela eternidade, mas em vez disso, estava sendo arrastada à força para longe dele.

"Como pode ter me abandonado dessa forma? O que foi que eu fiz de errado?"

Sua morte se aproximava a passos largos e o ódio lhe subiu à cabeça. Ela surtou. Deu um tapa na cumbuca do sacerdote, de baixo para cima, pegando-o de surpresa. O líquido viscoso entrou nos olhos dele, fazendo-o guinchar de dor.

Neyal'a nem pensou. Apenas correu o mais rápido que pôde, assim que teve a chance. Também nem soube dizer o que aconteceu a seguir, já estava a meio caminho da selva que cercava o local quando as pessoas começaram a reagir àquilo.

 Natasha 

México, dias atuais

A outra garota no banheiro atrapalhava a concentração de Natasha. Era difícil o suficiente fechar o seu colar com um misto de sono e culpa turvando sua mente. Lavar o rosto não ajudou em nada.

Sabia que a família a esperava do lado de fora do quarto e se perguntou por que não a acordaram mais cedo, já que havia dormido demais.

Ela girou o cordão preto ao redor de seu pescoço, trazendo o pingente de escaravelho para a frente. Acariciou a pedra verde, da mesma cor de seus olhos, tentando não desviar a atenção dela.

Falhou. Pelo espelho, olhou de relance para a garota atrás de si. Suas intensas íris azuis eram tão claras que quase chegavam ao branco, e ela a encarava com ódio.

Natasha fechou as pálpebras e se esforçou para criar a realidade mais fantasiosa possível. Em sua mente, cavalos alados voavam sobre um campo florido. Um arco-íris distante coloria o céu, e cachoeiras brotavam de ilhas flutuantes.

"Vá embora," pensou.

Um dos cavalos pousou à sua frente e mostrou-lhe o flanco. Uma linda carruagem de cristal se materializou atrás dele. O animal sacudiu a cabeça e olhou para ela, convidando-a a subir no transporte. Ela deu um passo em sua direção, tentada a aceitar o convite e viajar pelo infinito e além. Se dependesse dela, jamais voltaria.

"Por favor, vá embora."

Acariciou o pelo lustroso e alvo daquele belíssimo animal, tão macio quanto a casca de um pêssego fresco.

Natasha recolheu a mão e abriu os olhos, de volta à vida mundana, agora sozinha. Respirou fundo, aliviada.

Prendeu o cabelo longo, liso e castanho-claro em um rabo de cavalo alto antes de sair.

Isabella levantou-se de uma das três camas de solteiro na suíte assim que a irmã abriu a porta do banheiro. Natasha consertou sua postura caída, como se nada tivesse acontecido. Torceu para que Isa não tivesse percebido a mudança drástica de semblante.

Se percebeu, não comentou nada.

A menina estendeu os braços na direção de Natasha, com um sorriso de orelha a orelha. Segurava um embrulho retangular.

— Feliz aniversário — disse. Natasha pegou o presente e abraçou a irmã caçula, que a apertou com força.

— Obrigada, Isa.

Quando se soltaram, Natasha pôs-se a abrir o embrulho com todo o cuidado para não estragar o papel. Isabella se incomodou com a demora:

— Jesus, Natasha, abre logo isso, pode rasgar! — Ameaçou pegar o presente das mãos da irmã para abri-lo ela mesma. Natasha desviou, girando o corpo para o lado para tirar o embrulho de seu alcance.

— Paciência, pequena gafanhota. — Empinou o nariz teatralmente. — Estais mais ansiosa do que eu, por quê?

— Argh!

Ela removeu o embrulho, revelando um sketchbook rústico, tamanho A4.

Natasha se surpreendeu quando reconheceu as páginas bege-claro que Isa vinha costurando há algumas semanas. Não havia nada escrito na capa, feita de um papel um pouco mais grosso que os demais. A lombada exibia as linhas marrons da costura entrelaçada. Devia ter mais de duzentas folhas ali.

— Mentira que você estava fazendo isso para mim, esse tempo todo? Que trabalheira!

— Sim! — Isa riu. — Não acredito que você nem desconfiou.

— Você é uma excelente atriz. — Folheou as páginas. — Achei que era mais um dos seus diários. Eu nunca ia imaginar que era para mim.

Viu algo escrito atrás da capa e parou para ler. Sua irmã havia deixado uma dedicatória em caneta sépia, feita com uma letra bem redondinha:

Uma vez você me disse que quando nós criamos alguma coisa, colocamos nossa energia nela. É um conselho que eu agora carrego no peito. Eu não sou artista que nem você, mas juro que me esforcei. Fiz esse diário com todo carinho, para você nunca mais perder os seus desenhos incríveis e para sempre se lembrar da sua irmã que te ama e te admira muito. Feliz aniversário, Nat!

Isabella Quinn Ferreira.

Natasha sorriu, os olhos úmidos.

— Eu sei que não está bonito, levei uma surra para costurar isso — Isa comentou. — Você viu, né? Mas foi de coração.

Natasha a abraçou com a mesma força que a menina havia usado antes, dando-lhe um beijo no topo da cabeça. Seu cabelo liso, quase loiro, tinha um forte cheiro de xampu cítrico.

— Está perfeito, Isa. Eu amei.

As duas tomaram um susto com o irmão abrindo a porta de supetão.

— Vem cá, vocês não vão sair desse quarto não? — Yuri reclamou, o antebraço apoiado na maçaneta. Quando viu o embrulho vazio em cima da cama e o sketchbook na mão de Natasha, brigou com Isa: — Ah lá cara, que vacilona, por que não esperou ela sair?

Isabella soltou o abraço, constrangida. Natasha olhou para ela e para o irmão. Pensou um pouco e falou:

— Claramente porque ela sabia que ia me dar o melhor presente na história da humanidade e não quis deixar vocês tristes.

A irmã sorriu com o comentário. Yuri cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha.

— A-hã, claramente — ele repetiu. — Vem logo antes que eu mude de ideia e fique com o seu presente para mim. — Deu as costas e saiu do quarto.

Natasha guardou o presente novo na mochila jeans. Havia um rasgo em sua base, então ela enrolou uma camisa no sketchbook para protegê-lo. Fechou o zíper, puxando-o pelo enorme chaveiro em formato de espada preso a ele, vestiu uma das alças no ombro e seguiu o irmão, acompanhada por Isa.

Na sala, seus pais vieram abraçá-la:

— Acordou, a margarida — Roberto disse. — Feliz aniversário, filhota. — Encurvou-se para dar um beijo em sua cabeça, devido à sua altura. Entregou-lhe um pequeno embrulho. Seu sorriso branco fazia um grande contraste com sua barba cheia e preta.

— Feliz aniversário, fifi. — Paula lhe deu uma caixa maior. Natasha havia nascido à imagem e semelhança de sua mãe, que não aparentava a idade que tinha. Os irmãos se pareciam mais com o pai, especialmente Yuri, cujo cabelo ondulado e curto tinha tons escuros de castanho.

O rapaz aproximou-se com um embrulho menor. Apesar de ser 3 anos mais novo, sua altura já havia superado a da irmã.

— Feliz aniversário, maninha.

— Obrigada, gente — Natasha disse, indo abrir os presentes no sofá.

O embrulho de seu pai revelou um relógio analógico de pulso, rosa metálico e dourado, com uma pulseira delicada.

— Oba! — Natasha o vestiu no punho esquerdo e usou o celular para ajustar o horário. — Adorei, pai.

A caixa que sua mãe havia dado continha uma mochila retangular, cinza e lilás.

— Uau, que linda! — Natasha exclamou, abrindo-a para ver quantos bolsos internos ela possuía. Quanto mais, melhor.

— Ela é daquelas impermeáveis e antifurto, sabe? — Paula comentou, feliz com a reação da filha.

— Sei sim. Obrigada, mãe! Já vou até trocar as coisas de mochila e aposentar essa aqui. — Abriu a mochila jeans e saiu passando tudo para a nova: primeiro o precioso diário envolto pela camisa, sua garrafinha de água, celular, powerbank, passaporte, fones de ouvido, uma lanterna, um pequeno bloquinho de papéis destacáveis e um estojo com seus materiais de desenho. Tirou também o chaveiro de espada e pôs-se a colocá-lo no zíper principal da outra.

— Um chaveiro gigante desses nesse zíper aí meio que quebra o propósito dele de ser escondido e antifurto — Yuri comentou. — Dá para ver essa coisa a um quilômetro de distância.

Natasha parou o que estava fazendo.

— Ih, tem razão — disse. Resolveu colocá-lo em um zíper interno. — Pronto, aqui dentro não vai chamar atenção.

Ela ficou um tempo tentando abrir a argola do chaveiro, mas o zíper interno era grosso demais.

— Abre logo o meu presente — Yuri reclamou. — Faz isso depois! — Olhou enojado para a mochila jeans largada no chão ao seu lado e a pegou com as pontas dos dedos. O pano estava todo esgarçado, sujo e cheio de rasgos. — Valha-me Deus.

Natasha estalou a língua e largou o chaveiro em um bolso interno.

— Está bem, vejamos. — Abriu o outro embrulho retangular já sabendo que aquilo era um livro. — Fez um diário para mim, também? — brincou.

— É ruim, hein? Tenho mais o que fazer — Yuri respondeu. Isa deu um tapa em seu braço. — Ei! — Ele olhou para ela, irritado, esfregando a região que ela havia atingido.

Natasha puxou o livro para fora do embrulho. Tinha uma capa amarela, cheia de hieróglifos maias coloridos.

— "Reading the Maya Glyphs" ("Lendo os Glifos Maias") — Natasha leu o título em voz alta. — Uau! — Abriu a capa e começou a ler, esquecendo-se do resto do mundo, os olhos devorando aquele texto.

— Como você gosta de idiomas esquisitos, achei que fosse gostar desse aí — Yuri disse. — Se encontrarmos uma ruína maia na trilha, você já traduz para a gente.

Natasha não respondeu, nem prestou atenção no que ele havia dito. Em sua mente, havia viajado no tempo, até o período clássico da civilização maia, entre 200 e 900 d.C. Ao seu redor, estendia-se uma selva vívida e fechada, com onças-pintadas, pássaros quetzal e macacos bugios.

— Hein? Natasha? — Yuri chamou. A irmã não se moveu, vidrada no livro. — Ih, já era. Vamos precisar chamar o reboque para levar ela para o carro, galera. Daqui ela não sai voluntariamente não.

— Vem, filhinha, vamos, já está ficando tarde — Paula chamou, abrindo a porta da casa.

— Nat? Vamos? — Isa segurou seu braço, fazendo-a despertar do pequeno transe.

— Hã? Quê?

— Estou lisonjeado de ter gostado tanto do meu presente, que claramente não é o melhor da história da humanidade, mas a gente não viajou até aqui para ficar trancado no hotel estudando — Yuri falou, do lado de fora da casa, uma de várias em um elegante resort.

— Ah, foi mal, me empolguei — Natasha disse, guardando o livro na mochila para ler depois.

Roberto apontou para o objeto.

— Vai carregar esse peso? A gente vai andar bastante, viu?

— Não faz mal, ele não é muito grosso. — Ela nem olhou para o pai enquanto o respondia, fechando o zíper da mochila.

— É, mas o resto das coisas que você está levando aumenta o peso. Precisa mesmo de estojo, caderno e bloco de notas? Nós vamos caminhar, não vai dar tempo de você desenhar ou ler.

— Vai que dá, né? — Natasha respondeu, vestindo uma alça da mochila e indo para a porta aberta. — Vamos?

— Você que sabe — o pai murmurou, dando de ombros. — As costas são suas. — Ele saiu com Isa e trancou a porta.

A família andou até o carro alugado, estacionado próximo ao local. Yuri entrou abrindo a janela de seu lado. Isa ficou no meio do banco de trás, entre seus dois irmãos. Seus pais conversavam sobre o endereço da trilha selvagem que Paula cadastrava no GPS em seu celular.

— Tem certeza de que não tem perigo nesse lugar, amor? — ela perguntou, preocupada.

— Ora, Pedro certamente não nos enviaria para uma cilada. Ele deve conhecer os locais mais seguros e os mais perigosos, trabalhando na polícia. — Roberto respondeu, acalmando-a. Pedro era seu melhor amigo. Aquela trilha havia sido sugerida por ele, mais afastada das rotas turísticas movimentadas.

Natasha olhou pela janela e desejou não o ter feito. Érika, a garota do banheiro, a encarava do outro lado da rua, julgando-a, condenando-a, como de praxe. A corrente que saía de seu peito se projetava para a frente, mas sumia no meio do caminho, como se flutuasse no ar. O cabelo cacheado e escuro emoldurava seu rosto jovem.

Natasha concentrou-se em mais uma realidade fantasiosa, para fugir daquela situação incômoda.

Imaginou um grande tigre dentes-de-sabre robótico do lado de fora. Quando o carro começou a andar, o animal o acompanhou, correndo ao seu lado. A paisagem ao fundo se transformou em uma grande floresta mecânica, o céu escuro. Uma nuvem espessa de poluição ocultava a luz dos três sóis daquele planeta irreal. Érika logo ficou para trás, abandonada, esquecida.

— O que houve, Nat? — Isa chamou, tocando o braço da irmã.

A dimensão paralela se desfez em segundos, como se fosse feita de poeira, dando lugar à realidade. Natasha olhou para Isabella.

— O quê? Eu estava aqui viajando — respondeu, após um tempo processando o que a menina havia perguntado. — Que foi?

— Você está estranha.

— Ou seja, tudo está normal, vida que segue — Yuri provocou, olhando para a rua, o vento batendo em seu cabelo e deixando-o mais bagunçado que o normal.

— Tsc, idiota. — Isa deu outro tapa em seu braço.

— Ai! Para de me agredir, seu projeto de meliante!

— Estranha? Por quê? — Natasha perguntou, tentando disfarçar.

— Sei lá, está calada, mais distante que o normal. — Isabella inclinou a cabeça. Seus grandes olhos cor-de-mel estavam fixos na irmã. — Está tudo bem?

Natasha sabia que não podia esconder nada dela. Se dissesse que estava tudo bem e que não era nada, Isa continuaria prestando atenção em cada passo seu, monitorando-a nos mínimos detalhes e perguntando "o que houve" insistentemente até descobrir a verdade. "Ela é muito observadora. Maldição."

Pensou numa desculpa. Não queria falar sobre Érika.

— É uma coisa que eu li há um tempo — começou, ainda elaborando o que diria a seguir.

— O quê? Que coisa?

— Ah, é uma bobeira, deixa quieto — disse, para ganhar tempo.

— Fala! Se está mexendo contigo, não é bobeira — Isa insistiu.

— Sobre, hum, as pessoas ficarem mais vulneráveis no dia de seus aniversários. — "Nossa, que desculpa péssima."

Até Yuri olhou para ela, confuso.

"Passou esse tempo todo pensando para isso? Inteligência não é o teu forte, né?", uma voz negativa brotou em sua mente.

— Como assim? — Isa perguntou.

— É, eu li sobre a origem das comemorações de aniversário. Tem uma crença antiga que diz que a pessoa fica mais vulnerável e suscetível nesse dia, e pode atrair coisas boas ou coisas ruins. Bater palmas serve para afastar espíritos negativos e ficar desejando coisas boas atrai boa sorte. — Depois que falou dos espíritos, aquilo começou a fazer mais sentido. "Até que não era uma desculpa tão ruim assim, afinal."

Sua atuação foi convincente o bastante.

— Ah — Isa falou, sem saber muito bem como consolar a irmã. — E você está vendo muitos, ahm, espíritos negativos?

O carro parou em um sinal vermelho. Natasha não a respondeu verbalmente, mas seu olhar disse tudo.

— Relaxa, se você sobreviveu por 20 aniversários, não vai ser agora que o seu mundo vai acabar — Yuri disse, voltando a observar a rua.

— É, Nat. Estamos aqui contigo. Qualquer coisa, a gente bate um monte de palmas — Isa completou. — Quer que eu bata agora?

— Não, não precisa. Obrigada. — Natasha achou graça.

— Se precisar, estamos aqui. Vai ficar tudo bem.

Natasha sorriu. Quando se virou para a sua janela, no entanto, viu Érika parada do lado de um poste.

— Assim espero — murmurou, fechando os olhos.

Quando chegaram ao destino, foi difícil encontrar um bom lugar para estacionar o carro. Deixaram-no bem longe da entrada da trilha. Não era uma atração turística sinalizada, mas um endereço afastado dentro de uma reserva ecológica no Yucatán.

Caminharam em passos rápidos até a selva, seguindo a trilha marcada no chão.

Mal se passaram dez minutos, Natasha já arfava, lá no final da fila. A mochila parecia pesar toneladas, machucando seus ombros. O calor úmido piorava a situação. "Você deveria ter ouvido seu pai." Uma voz a repreendeu. "Mas você é idiota e achou que ia ter tempo de ler em uma trilha."

"Tem mais é que sofrer mesmo."

"E esse condicionamento físico de lesma morta?"

"Você sabe que está ficando gorda, né?"

Irritada com os pensamentos, ela consertou a postura e quis provar o contrário: a mochila não estava pesada e ela não estava cansada. "Eu consigo, é tranquilo." Apertou o passo para alcançá-los.

Sentiu pontadas de dor em seu abdome porque estava respirando pela boca. Arrastou-se o mais rápido que pôde para acompanhá-los pelas próximas horas.

 Neyal'a 

Jamais pensou que tivesse tanta coragem. Também não sabia bem o que faria agora, não tinha mais onde se esconder. Apenas continuou correndo sem um rumo predefinido.

Quando se afastou o bastante, parou atrás de uma árvore. Estava com dificuldade de respirar, desacostumada a correr.

Uma fumaça esbranquiçada preencheu o chão aos seus pés. A princípio, achou que a tivessem alcançado. No entanto, o som dos passos acelerados dos guerreiros ainda ecoava à distância. Ela havia garantido uma vantagem de tempo com o elemento surpresa.

Dois pequenos olhinhos azulados brilharam em meio à névoa, e a mulher imediatamente compreendeu o que era aquilo. Mal pôde acreditar. Afastou a fumaça com uma mão e pegou a estatueta metálica sem hesitar, boquiaberta.

— K'uk'ulqa — sussurrou, acariciando a pequena cabeça reptiliana do objeto. — É a minha vez — murmurou para si mesma, hipnotizada pelo pequeno dragão pulsante, olhos cheios d'água. — Você me convidou...

Por um momento, esqueceu-se de sua situação. Foi a súbita dor lancinante na lateral de seu abdome que a fez despertar do transe.

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